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✮⋆˙Independente do Cosmos✮⋆˙
Última Atualização: 31/10/25

Uma sensação estranha dominou , como se ela estivesse sendo observada, mas seus olhos não encontraram nada.
Não encontraram ninguém.
Era como se uma venda impossibilitasse sua visão, mas a mulher não sentia nada em seu rosto ou cobrindo seus olhos. Contudo, ainda assim ela não enxergava nada, como se suas pálpebras estivessem fechadas.
Mas elas não estavam.
E a mulher não entendia o que estava acontecendo.
Um arrepio percorreu seu corpo assim que um barulho — uma movimentação — soou de algum lugar à sua direita.
— Quem está aí?
A pergunta ecoou pelo espaço, o único som se fazendo presente além da respiração de .
— Onde eu estou? O que você vai fazer comigo?
Uma risada grossa quebrou o silêncio. Ou era possível que fossem duas? Ela não sabia dizer.
— Nada que você não vá gostar. — A resposta soou provocativa, em uma mistura de vozes masculinas.
Um arrepio percorreu sua espinha e eriçou seus pelos quando mãos quentes tocaram seu corpo. Elas passeavam por sua pele, traçando o contorno de seu quadril, o vale de seus seios e suas longas pernas. Deslizando e explorando cada pedacinho de .
Até que as mãos não foram mais o suficiente.
Lábios invisíveis roçaram em seu pescoço, e um sussurro profundo, multiplicado em vários tons, murmurou:
— Você não sabe quanto tempo esperamos por isso. — A boca subiu até sua orelha, mordiscando o lóbulo e fazendo-a estremecer. — Quanto tempo esperamos por você.
não sabia onde estava, muito menos com quem estava, mas algo em seu âmago a fazia se sentir confortável. Desejosa. Excitada.
O pensamento foi seguido por um gemido de . As mãos agora eram acompanhadas por bocas. Beijando seu pescoço, chupando seus seios e distribuindo beijos por todo o seu corpo, menos na parte que começava a clamar por atenção.
Ela se contorceu, tremendo, incapaz de distinguir quantas pessoas estavam ali, provocando-a no escuro, quantos lábios a chupavam e quantas mão a acariciavam. Mas desejava uma a mais. Precisava urgentemente que uma das mãos seguisse até o meio de suas pernas para tocar sua boceta molhada, que os lábios que provavam sua pele se esbaldassem em sua excitação.
A boca que estava em sua coxa subiu, como se fosse capaz de ler a mente de , e parou na dobra entre a perna e a virilha. A mulher esperou que ele continuasse, que subisse os poucos últimos centímetros que faltavam e que chupasse sua boceta com o vigor de um homem desesperado, mas a boca continuou parada.
— P-por favor… — A súplica escapou de seus lábios.
A risada provocativa soou pecaminosa, as vibrações soando por seu corpo e atingindo todos os pontos sensíveis que as bocas tocavam. Seu pescoço. Seus seios. Sua boceta.
— O que você quer? É só pedir e nós te daremos. — A pergunta foi feita de forma retórica e maldosa.
Claro que sabiam o que ela queria, estava mais do que claro em como estava se comportando, nos sons que fazia; como aquele delicioso corpo se contorcia pedindo por mais.
Antes que sequer tivesse a chance de responder, uma língua quente passou a deixar um rastro desejoso de saliva pela dobra da sua virilha. Tão perto de onde praticamente estava implorando por atenção, mas ao mesmo tempo tão longe. Enquanto estava sendo dominada por esse desejo negado e crescente, uma mordida forte atingiu o bico do seu seio.
Ela gemeu mais alto, não sabia se de dor ou prazer.
Agora as sensações se misturaram em seu corpo e seu cérebro não estava sabendo distinguir mais nada, até porquê, no segundo seguinte, a língua simplesmente lambeu sua boceta com vontade. A mulher abriu completamente as pernas e arfou desejosa, jogando o quadril para baixo.
— Seu gosto é tão delicioso quanto você — ele disse, soprando quente e forte contra seu clítoris sensível inchado.
Houve uma movimentação ao seu redor, ela não soube dizer o que acontecia, mas a sensação de ter mais de um par de olhos em seu corpo esbaldava queimando como lava em sua pele alva.
— Ela é docinha? — outra voz perguntou, beliscando seu bico.
Aquilo latejou deliciosamente, levando um arrepio direto para sua espinha.
— Você não tem noção do quanto. Eu poderia chupar essa boceta o tempo todo, até deixá-la tão sensível que ela me imploraria para parar — ele respondeu, lambendo outra vez.
rebolou, levando cegamente seu pé até o homem, tentando puxar de novo seu rosto para sua boceta molhada e latente. Ela sentia sua entrada palpitar e um pequeno nó de excitação se formar apertado em seu baixo ventre.
— Quer ser fodida, querida? — O homem perguntou, rodeando a língua por seu clitóris.
rebolou mais forte e desesperadamente, precisando de mais contato. Não aguentava mais aquela provocação maldita que estava a enlouquecendo.
Outra risada atingiu o ambiente.
— Você vai rebolar na cara dele até atingir o próprio orgasmo, meu bem.
A mulher não esperou para que falassem outra vez com ela, seu quadril ganhou vida própria e ela rebolava com vigor contra a língua gostosa e quente daquele homem que sorria ao ter sua boceta molhada bem diante dos seus olhos. passou a gemer com mais frequência agora, incapaz de conter suas reações conforme a necessidade aumentava em seu corpo. Seu clitóris sensível pulsava com frequência, e ela o esfregava sem o menor pudor ou cuidado.
— Que delícia! — gemeu manhosa, como a putinha que era.
— Isso, querida, esfregue sua boceta na boca dele — A voz soprou em seu ouvido, como uma ordem da qual ela não desobedeceria nem se quisesse.
obedeceu, o suor já se acumulando por sua nuca e colando seus fios na pele úmida.
Aquilo era insano. Depravado. Bom.
Tão bom que ela não se preocupava com nada mais além de buscar seu orgasmo.
— Vou gozar… — avisou em um gemido desesperado.
Aquilo só serviu para estimular o homem no meio de suas pernas. Ele a segurou pelo quadril, interrompendo seus movimentos. Ela choramingou audivelmente, mas gemeu logo em seguida. Ele passou a chupar seu clitóris com vontade, como um homem faminto se banqueteando com a melhor das refeições.
— Assim… isso… — ela falava, completamente perdida, se abrindo ainda mais para ele.
Os outros sorriam, assistindo aquilo com puro desejo e luxúria. sentiu quando ele segurou em suas bochechas, a apertando até que seus lábios se mantivessem abertos. Ela não lutou contra e fez o que ele queria. A próxima coisa que sentiu, no entanto, foi um pau completamente duro e quente invadir sua boca. Ela suspirou, passando a língua por sua lateral, o chupando com vontade, deixando que fosse fundo e se engasgando com ele em sua garganta.
— Tão gulosa — ele suspirou, a voz cortada de prazer.
Ela não parou de tentar rebolar, e resmungava sempre que a boca em sua boceta parava ao perceber que estava prestes a gozar. Seu corpo estava tão quente que até estava grudando de leve no lençol do colchão. Se tivesse com a boca desocupada, choramingaria para pedir para gozar. Imploraria. Mas um pau gostoso a fodia alí e ela mal tinha tempo para reclamar.
— Você quer gozar, querida? — A voz atingiu seu clítoris inchado, fazendo-a gemer de prazer e rebolar ainda mais. — Goza na minha língua enquanto ele fode a sua boca.
O prazer lhe atingiu como um raio em meio a uma tempestade ruidosa, iluminando e contorcendo todo o seu corpo com o choque profundo e forte do orgasmo que veio e não foi cortado dessa vez. Mesmo assim, ela não parou de rebolar sua boceta, querendo mais. Precisando de mais.
— Isso, querida, goze bem gostoso — uma mistura de vozes masculinas soou por todos os lugares.
fechou os olhos com força, assentindo com a cabeça, porque era exatamente isso que estava fazendo e a descarga em suas terminações nervosas tinha sido deliciosa.
Sua boca se encheu ainda mais com o homem a fodendo sem cuidado algum, e ela o tomava sem reclamar, cada vez mais rápido, mais frenético, até que ele a encheu de porra e ela suspirou manhosa ao ter seu gosto delicioso por toda a boca.
As vozes masculinas riram em conjunto, e se estremecia.
Ela passou a mão pelo rosto, empurrando seus fios molhados para trás.
— Você quer mais?
A boca que estava em sua boceta subiu, traçando um caminho até sua boca e a tomando para si.
— Sim. — A resposta foi curta e desejosa ao romperem o beijo.
ansiava por mais. Precisava de mais.
— Quer que eu te foda, tão forte, que você vai sentir meu pau dentro de você pelo resto da semana enquanto fodemos esses peitos gostosos também?
A afirmativa de soou como um gemido, sua boceta não parecia satisfeita com apenas um orgasmo. Ela queria tomar tudo o que eles estivessem dispostos a dar a ela.
Queria se entregar aquela fantasia pecaminosa e gostosa.
— Façam o que quiser comigo.
não sabia de onde vinha aquela confiança, sequer sabia quem eram aquelas pessoas, mas não se assustou quando a frase deixou seus lábios. Algo ali parecia certo. Seguro.
— Nós vamos, . Vamos reivindicar essa boceta e te encher de tanta porra que você vai virar uma putinha marcada. Nossa putinha marcada.
Lábios encontram os seus novamente, mas a euforia do momento passou. O beijo era calmo, parecendo mais uma promessa do que uma reivindicação.
— Esperamos muito tempo por você, mas finalmente te encontramos. Você é nossa para cuidar, para amar e para foder…
— Estamos indo atrás de você, querida.

acordou da cama em um pulo. Sua pele ainda estava suada e seu coração batia acelerado. A dormência em sua boceta deixava claro que ela de fato tinha gozado em sua cama, sozinha, e não apenas no sonho luxurioso que ainda estava muito vívido em sua mente. Se fechasse os olhos ainda conseguia sentir perfeitamente tudo o que vivenciou. As mãos que acariciaram sua pele. As bocas que chuparam e morderam cada pedacinho de si. O pau que fodia desesperadamente sua boca.
E a promessa que parecia ecoar em sua mente:
— Estamos indo atrás de você, querida.
Aquilo deveria assustá-la, sabia muito bem em seus vinte e cinco anos de vida que alguns sonhos seus eram pequenos vislumbres do futuro, de momentos e situações que ainda aconteceriam.
Ela sabia que aquele sonho era um desses.
Mas o medo não a dominava, muito pelo contrário. Uma euforia desconhecida dominava seu corpo, ansiosa para que a promessa deles se cumprisse.


Antes mesmo que a batida soasse na porta, já estava de pé, prostrado de frente para a abertura em uma posição que misturava defesa e ataque. O metamorfo não sabia o que esperar, se a pessoa atrás da porta seria amigo ou inimigo, mas seu animal interior estava espreitando.
Algo estava errado.
E ele conseguia sentir isso mesmo sem se transformar.
Os socos apressados na madeira ecoaram por toda a casa.
! Abre essa merda. — A voz grossa soou autoritária.
O animal interior de rosnou. Como ousavam bater em sua parte antes da segunda lua sequer brilhar no céu? Especialmente para lhe darem ordens.
— Não faço serviços antes do raiar da segunda lua. Os Arquilordes sabem disso. O Soberano sabe disso. — As palavras soaram como um rosnado. — Volte mais tarde e eu penso com carinho se vou querer fazer a demanda de vocês.
O ar pareceu pesar antes que a pessoa do outro lado respondesse:
— Não é para o Soberano, , é sobre o Soberano.
A colocação o fez engolir em seco. Sua mente corria por possíveis cenários do que poderia ter acontecido. Poderia não ser nada sério, apenas alguma demanda dos Arquilordes em meio aos seus jogos de poderes, mas a sua intuição dizia que era algo sério.
E, ao abrir a porta e encarar o guarda que o encarava com um pavor escancarado em suas feições, teve certeza de que a sua intuição estava correta.

🌙👑🩸

Conforme caminhava pelos corredores que o levariam até Câmara Sombria, os olhos de observavam tudo pelo caminho. O palácio estava anormalmente quieto, sequer era possível ouvir o som dos cortesãos que moravam ali. Em todo o seu caminho até a principal sala do Soberano, as outras únicas pessoas que viu eram os poucos guardas espaçados.
A tensão no ar era forte, quase palpável, e o animal dentro de queria rosnar e eriçar os pelos em resposta.
— Onde estão os Arquilordes? — A pergunta escapou assim que a grande porta da câmara entrou em seu campo de visão, sem nenhum sinal dos conselheiros reais.
— Eles ainda não foram convocados — o guarda respondeu. — Tínhamos ordens diretas de buscar primeiramente você se algo ao Soberano acontecesse.
franziu o cenho ao ouvir aquilo.
Os Arquilordes eram a mão direita do Soberano, um conselho formado por criaturas tão antigas quanto aquele ao qual chamavam de rei. Eles estavam acima de todos, até mesmo de , mesmo que o seu sobrenome o nomeasse como um dos representantes das Quatro Casas.
— Certo. E o que aconteceu com o Soberano?
Mesmo sem se transformar, podia sentir o cheiro de medo que começava a inundar o corredor.
— Bom, esse é o problema — respondeu, parando de frente para o único guarda que protegia a entrada. — Zaros é um vampiro, ele sentiu um odor de sangue muito forte vindo lá de dentro. Tentamos falar com o Soberano, mas ele não respondeu. Depois, tentamos abrir a porta, mas está trancada.
A vontade de praguejar foi tão forte que o palavrão quase escapou de sua boca, mas invés disso ladrou:
— Tragam aqui.
Por mais sádico que o Soberano pudesse ser, sabia que o homem não se trancaria na sala e ignoraria seus guardas. Ele não via motivos para crer que o Soberano tinha trancado a porta de propósito. O que só deixava margem para um cenário:
O sangue ativou as proteções e selou a sala.
Se esse fosse o caso, precisariam de um feiticeiro para quebrar o feitiço.
E era o único que confiava o suficiente para pedir para arrombarem a Câmara Sombria sem fazer ideia do que encontrariam lá dentro.
— Do que precisa, ? — Sempre sem meias palavras, surgiu após um feitiço de teleporte, evidenciando suas íris brilhantes por usar magia.
Estava em seus aposentos quando foi requisitado pelo homem, e quase não iria aparecer, porém quando o tópico do Soberano foi mencionado, o bruxo não teve quaisquer outra opção a não ser ir de encontro ao transmorfo.
cruzou os braços, esperando que ele dissesse de uma vez o que queria.
— Quebre o feitiço que está trancando a porta. Não me importo se você vai explodi-lá, transformar em pó ou o que quer que seja. — Os olhos de analisaram rapidamente o feiticeiro. — Eu só quero entrar o mais rápido possível nessa sala.
voltou sua atenção para os guardas.
— Assim que abrir essas portas, não quero que vocês deixem suas posições. Não deixem ninguém cruzar essa porta.
O transmorfo não tinha certeza do que encontraria ao cruzar a soleira, mas sabia que boa coisa não seria. Se o pior cenário possível se tornasse realidade, todos ali seriam suspeitos.
— Não chamem nenhum Arquelorde, e, se por um milagre algum deles aparecer por aqui com seus narizes empinados, repitam a ordem de que falou pra vocês não deixarem ninguém entrar, independente da hierarquia.
— E por que precisa de tanto sigilo e urgência? — estalou a língua no céu da boca e depois fez um pequeno bico debochado, fitando o transmorfo pelo canto dos olhos, com certo ar de diversão.
Apesar de ver como parecia agitado, isso em nada fez o feiticeiro se compadecer com a situação. No fundo o bruxo gostava de irritar certas pessoas, incluindo .
A pergunta fez com que quisesse rosnar. Era impossível que o não compreendesse a seriedade da situação.
O destino de Nythrion e de todos que viviam ali poderia mudar irrevogavelmente depois que as portas se abrissem.
— A magia fodeu seu cérebro em um nível tão irreversível que você não consegue entender a razão da urgência?
Em momentos como aquele, o transmorfo se arrependia de não ter a magia necessária para realizar pequenos feitiços.
— E, se o pior dos cenários tiver acontecido, eu prefiro não precisar lidar com uma comoção e com os Arquelordes. Além do mais, dependendo do que encontrarmos lá, qualquer pessoa poderia adulterar ou profanar o espaço. — A atenção de se fixou na porta. — Agora, por favor, dê um jeito nessa merda.
passou a língua pelos dentes e depois umedeceu os lábios, continuando com o pequeno biquinho debochado, mas soltou uma bufada nada educada para seus costumes, e rolou os olhos.
— Quem foi que te deixou tão sério, — falou de forma sarcástica, mas se aproximou da porta de madeira grossa do Soberano.
espalmou as duas mãos no portal, automaticamente franzindo as sobrancelhas pela energia que estava emanando pelas brechas e parecia querer adentrar por seus poros.
— Que porra é essa? — O feiticeiro murmurou para si, fechando seus olhos para se concentrar e identificar o que tinha ali.
Apesar das pálpebras estarem interrompendo a visão de suas íris, elas brilhavam por ter sua magia sendo ativada.
, para trás — pediu ao transmorfo, fazendo um círculo enquanto murmurava palavras em latim e tentava absorver a energia. — Está selado por… morte — grunhiu, e então abriu os olhos.
A energia que sugava para si, fazia suas veias — assim como seus olhos — brilharem e ele arfou, já que nunca tinha sentido tamanho poder de uma única vez. As palavras em latim começaram a entonar mais fortes e incisivas, e era quase como se o bruxo fizesse força física, tentando se empurrar para perto da madeira maciça e grossa que o afastava.
Uma pequena camada de suor começou a brotar na nuca de quando, por fim, soltou uma bola de sua magia misturada com a que tinha tomado para si. A porta rangeu, e então as travas pareceram abrir com um clique.
Antes que pudesse sequer agradecer ao feiticeiro, o cheiro denso e acobreado do sangue inundou seus sentidos. O cheiro metálico não embrulhava seu estômago fazia tempo, mas o cheiro de podridão que parecia entranhado ao líquido escarlate o fazia querer prender a respiração e sair o mais rápido dali.
Mas indo contra esse instinto, deu apenas uma olhada na direção de e um aceno de cabeça antes de cruzar a soleira da Câmara.
Não foi preciso procurar pelo salão para encontrar o Soberano. O corpo sem vida jazia sentado em seu trono negro, em uma posição casual como se ele apenas relaxasse ali.
Contudo, o sangue que escorria de um buraco em seu estômago e a pele murcha colada em seus ossos contrastavam com a altivez que o Soberano possuía.
— Conhece algum feitiço que possa ter causado isso? — questionou conforme se aproximava do trono.
Os olhos azuis deram lugar ao amarelo bestial de quando cedia sua pele para o animal. Ele se ajoelhou perto o suficiente para que conseguisse avistar com perfeição o que parecia ser o causador da morte e farejou o espaço.
Tirando o cheiro de e o de sua magia, não encontrou nenhum rastro — desconhecido ou conhecido —. Nenhuma assinatura infernal, mágica, vampírica ou transmórfica.
Era como se, até aquele momento, ninguém tivesse adentrado a câmara. Mas isso era impossível.
— A pergunta não é o que causou isso, meu caro. E sim o que vamos fazer a partir de agora — murmurou, também se aproximando do Soberano.
O feiticeiro, vendo que o transmorfo procurava a causa da morte do rei, esticou as mãos em direção ao corpo sem vida à sua frente e fez uma varredura enérgica e mística, mas surpreendente e preocupantemente, ele estava limpo.
— Ele não morreu naturalmente, isso posso garantir — ladrou, encarando com suas íris brilhando em pura magia.
O bruxo projetou uma esfera azul em suas mãos, virando-se em direção a porta e a atingindo em um estrondo.
— O lugar está selado novamente, — avisou a outra única pessoa viva do local. — O que faremos?
deixou que seus olhos assumissem o tom frio de azul novamente. Seus olhos pousaram mais uma vez no trono e no corpo, os próximos dias seriam tão infernais quanto uma dúzia de demônios adolescentes em um parque.
— Não podemos descartar o que e como ele morreu, mas temo que temos preocupações maiores. — Ele umedeceu os lábios antes de continuar. — Um trono vazio é convite para carnificina. Precisamos chamar Kael e Adrian antes que os Arquilordes nos convoquem. Não quero aqueles incompetentes e narizes em pé fiquem um passo à nossa frente, precisamos achar um sucessor.
— Que ótimo, , sua ideia é chamar um Lorde Sanguinis e o Príncipe Infernal — revirou os olhos, grunhindo em deboche que escorria do canto de seus lábios. — Qual é o próximo passo? Dançar em cima do cadáver do Soberano? — perguntou retoricamente, arqueando uma das sobrancelhas em direção ao transmorfo. — Sabe o tamanho do caos que essa notícia vai gerar? — questionou a , mesmo que soubesse que ele tinha plena ciência.
O bruxo se agachou até ficar na altura do seu rei, fitando com detalhe e cuidado cada aspecto do homem que um dia jurou lealdade até sua morte. só nunca pensou que a dele seria primeiro, para ser bem sincero.
não conseguiu conter o ímpeto de rolar os olhos. era o único feiticeiro no qual ele confiava, mas o homem o sabia tirar do sério como ninguém.
— Prefere chamar o Conselho e lidar com eles? — rebateu no mesmo tom debochado, tirando do outro homem um grunhido frustrado. — É melhor trabalharmos com os representantes das outras Casas, mesmo eles sendo uns sádicos.
A mente do transmorfo ainda estava trabalhando, cogitando maneiras na qual poderiam estar um passo à frente.
— Por mais que eu acredite que você seja um ótimo dançarino, creio que mesmo em morte o Soberano não tem humor o suficiente para apreciar sua apresentação — murmurou. — Por outro lado, o quão disposto você estaria em usar o sangue dele para um feitiço de sucessão?
Seus olhos pousaram uma última vez no trono, deixando com um vinco nas sobrancelhas.
— Se acharmos esse sucessor rápido o suficiente, os Arquilordes não vão ter o poder necessário para botar as garras no trono. Podemos trabalhar com um caos controlado.
Se para um feitiço localizador precisava de sangue, nesse, em questão, ainda mais perigoso e abrangente, sua adaga precisava de muito mais que apenas umas gotas. O feiticeiro arregaçou as mangas da camisa que vestia e então olhou para os lados à procura de algo.
Já estivera tanto naquele cômodo — era o feiticeiro de confiança do rei — que sabia onde cada pequeno item estava e onde encontrá-lo; por isso foi exatamente até o closet e voltou com uma manta vermelha, a escova de cabelos do Soberano e, no meio do caminho, pegou o cálice de ouro do rei.
deixou tudo ao lado do cadáver, tirando do bolso de sua calça um pequeno canivete mágico que sempre carregava consigo, cortou a própria mão e seus lábios se moviam no ritmo do latim que sussurrava enquanto ia até o centro do quarto e fazia, com seu sangue, um círculo grande o suficiente para que coubesse dentro dele.
O feitiço não estava nem na metade, as palavras que usava serviam apenas para intensificar o corte, para que mais sangue saísse. Não estava preocupado com a perda, já que vivia fazendo isso e em sua casa havia um freezer com bolsas de sangue para uma transfusão caseira. Tudo na vida vinha com um ônus e um bônus, conseguia conjurar os maiores feitiços que Nythrion podia imaginar, mas tudo vinha com um preço. Felizmente, ou infelizmente, o bruxo descobriu que magia de sangue era uma das mais fortes que existia. E ele era perito nela.
Ao finalizar o círculo de sangue, voltou a se aproximar das coisas que tinha pego no closet do rei e as trouxe para dentro do que desenhou no chão, os posicionando perfeitamente de um lado.
retraiu os lábios e soltou um suspiro cansado, sabendo que a linha de raciocínio de , desde o início, estava certa. Trabalhar com um caos controlado seria menos difícil do que deixar os Arquelodes tomarem a frente da situação.
— Me perdoe, senhor — o bruxo sussurrou para o corpo sem vida do seu Soberano, passando a parte afiada da faca por sua pele pálida, gelada e que já não corria sangue há algum tempo.
O líquido espesso veio quase em coágulos, o cheiro metálico e ferroso inundou suas narinas e ele prendeu a respiração, vendo o restante do sangue de seu rei cair e ruir assim como sua monarquia sádica. gesticulou com a mão livre, como se segurasse aquilo no ar, e, de fato, estava, já que o sangue parou de escorrer na pele mortificada e passou a flutuar no ar, se separando em pequenas gotículas e depois juntando novamente. A adaga saiu, assim como deu passos seguros até o desenho que fez, guiando aquele líquido para o cálice de ouro, o mantendo ali como se fosse vinho.
— Encontrar outro Soberano para sucessão pode ser difícil, , porque até onde eu saiba, não há mais ninguém na linhagem, então o que eu vou fazer aqui, para além de sigiloso, é perigoso, porque irei procurar entre esse mundo, os outros e o tempo — se virou agora para o transmorfo. — Se existir algo ou alguém, eu vou encontrar e trazê-lo, não importa onde esteja ou quantos anos à nossa frente ele se encontre. — Deixou claro que também conseguiria abrir um portal para o futuro, se necessário fosse. — Se você se sentir fraco durante o processo, não se preocupe, provavelmente serei eu sugando sua energia — deu uma piscadinha para o homem, o olhando de baixo a cima por um momento antes de desenhar um pequeno sorriso misterioso em seus lábios.
— Difícil não significa impossível, , achei que logo você saberia disso — o transmorfo murmurou, seus olhos encarando o homem que o observava. — Faça o que for preciso para encontrar ao menos um sucessor. Quero nome e localização, o resto pode deixar comigo.
Os olhos de mudaram outra vez para o amarelado, liberando seu lado bestial. Um arrepio de antecipação percorreu todo o seu corpo.
— Pegue o que precisar.
Com os braços cruzados na altura do peito e a pose altiva, transparecia uma calma e confiança que não sentia verdadeiramente. Mas eles precisavam encontrar um sucessor antes que o Conselho tomasse conta da situação, se não eles estariam fodidos.
sorriu de lado com a resposta do transmorfo, e umedeceu os lábios, assentindo, porém sua mente assertiva e rápida tinha o levado para outros caminhos também. Outros que agora não poderia pensar, já que o destino de Nythrion estava, literalmente, em suas mãos. Ele voltou sua atenção para o círculo, se ajoelhando no centro dele e suas mãos foram para o alto, cada uma ao lado de seu rosto.
Per vincula antiqua et sanguinem regalem, evoco vocem nominis ancestralem. — Assim que começou a murmurar, o círculo de sangue que tinha feito se acendeu em uma chama de fogo azul escuro e vivo ao redor de .
E estava dando certo, porque seus orbes mesmo fechados pareciam ver algo além da sua visão, como se estivesse em uma televisão e a estática começasse a aparecer.
Sanguis throni vocet heredem suum. Inter vivos et mortuos, verum revelet illum. falou com mais vigor a segunda parte do conjuramento, notando que conseguia ver, como se estivesse de cima, o destinado andando em uma rua movimentada, mas não tinha ideia de onde e precisava encontrar com exatidão.
O feiticeiro esticou a mão em direção a e moveu os dedos lentamente, como se o chamasse para perto de si. A sala que estava acesa com o fogo azulado, simbolizando o herdeiro do trono, agora também brilhava em âmbar, já que tirava de sua energia e a pegava para ficar mais forte. Ter acesso ao animal interior de foi, para , como provar de um vinho tinto seco. Poderia parecer ruim para quem nunca tinha experimentado, mas, lá no fundo, o sabor levemente adocicado era o suficiente para o tornar dependente e querer sentir de novo.
Sanguis regnum revelare. Per sanguinem, per potestatem, per aerem — O bruxo terminou de murmurar, abrindo os olhos quando o vislumbre completo atingiu sua mente, como se a porra de um cartão postal estivesse sendo gravado em seu cérebro.
O fogo celestial e azul se apagou, assim como a energia de parou de ser retirada dele, não queria deixá-lo tão fraco, afinal, descobriu bem mais coisas e, se estivesse certo, teriam que poupar cada pequena grama de vitalidade para poder lidar com o que viria a seguir.
O bruxo levantou, ainda com seus olhos brilhando pela quantidade de magia que foi ativada, ele arfava de leve quando se aproximou de e viu que a narina do transmorfo escorria um fiapo de sangue — assim como a sua.
— Temo que nosso caos controlado acaba de ficar um pouco menos controlado, — O feiticeiro ladrou, passando o dorso da mão pelo nariz. — Nova York. — explicou ao homem, chegando mais perto dele, quase a um passo de distância.
Tão perto que era possível não só invadir o espaço pessoal do transmorfo, como também sentir sua respiração. Os olhos de ainda estavam brilhando quando ele levou suas mãos até as têmporas de , possibilitando que ele também visse o que viu, ouviu e sentiu. Até mesmo o cheiro da garota invadiu ambas as narinas — doce, distindo, marcante… viciante —, e, sem perceber, deu um leve respirar fundo.
O nome que foi sussurrado dentro da mente dos dois, assim como a imagem da garota surgiu e se impregnou em cada canto de suas cabeças. Cada traço dela, suas nuances marcante, desde a pele clara e brilhante, o som da voz que veio como uma melodia suave e hipnótica, até seus olhos — um de cada cor.
O sussurro se repetiu, de novo e de novo, na mente dos dois, como uma sinfonia perfeita para o caos nada controlado que viria a seguir:
.



Continua...


Nota da autora: O surgimento dessa fic foi um surto e eu achei, nada mais do que justo, convidar uma autora muito da duvisosa para escrever essa putaria em forma de fic. Esperamos que vocês gostem dessa história.
Sejam muito bem-vindas ao nosso universo fanfiqueiro de HR, onde aqui você não precisa escolher o seu protagonista favorito, afinal a principal vai terminar com todos eles rsrs
Beijinhos — Polaris e Taíssa.


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